Arquivo para Agosto, 2008

ler de passagem

encontrei isso do livro de uma amiga, quando estive em sua casa:

“Os Nitriotas, vasta colônia de anacoretas ao sul de Alexandria no séc. IV, recebiam hóspedes sem limite de tempo em uma hospedaria comum. Uma semana sem fazer nada; depois disso, trabalhos: jardim, padaria, cozinha; se for um homem culto, recebe um livro.”

(do “Como Viver Junto”, de Roland Barthes)

marianete

e logo apareceu um lugar pra ir. uma família ótima, em sagrada família.

vai sair um trabalho em vídeo que faremos juntas aqui.

semana de coco, bonecos de madeira, teatro, circo, muitos uruguaios e vídeo-game.

funcionários

sereno

sem acolhida da cidade dessa vez, vou pro lar de colegas de bolsa, outros residentes acampados.

muitos emails, msgm de msn, promessas e desencontros. a negociação é confusa, morosa. coisa de favores. medo de terem que cuidar de mim…mas disso eu dou conta.

num sofá-cama, num colchonete, sonho com casas que não tenho. é quando eu percebo o efeito da instabilidade em mim. e ao acordar, ainda me pergunto a quem interessa minha presença na cidade. o projeto da bolsa diz que me quer aqui para dinamizar o circuito, para trocar com as pessoas daqui. joguei de volta…quem quer trocar? a resposta é em grande parte uma série de “vamos ver, quem sabe?”

pouco a pouco percebo o que me interessa nessas estadias. não é um critério geográfico, soma de pontos num mapa (apesar do mapa estar aí ao lado, mas é pra matar a curiosidade). neste projeto, o objetivo é conhecer a pessoa que me recebe, trocar informações e referências, fazer contato mesmo, amizade, e quem sabe, fazer algo juntos. este blog, por exemplo, nasceu de uma dessas trocas, em santa efigênia, santa steffania. esta aquarela surgiu do quarto de música da floresta.

talvez seja por aí. voltar pras casas que me receberam, e que me receberiam novamente. fazer o que se nem todo mundo quer jogar?

margot

quarto endereço.

primeira resposta ao arquivo de powerpoint que eu enviei por email, que foi encaminhado e, por sorte, caiu na caixa de mensagens de alguém que topou.

(se você não sabe que arquivo é esse, ele está disponível aqui no blog na aba “info”)

fui pra lá sem conhecer a pessoa, só ouvi a voz ao telefone e li o blog dela. não era mais do que ela sabia de mim também, imagino.

cheguei de ônibus, 13 horas de viagem desde goiânia, cedo pela manhã. o taxista não fazia idéia do endereço, ou fazia que não fazia. tentei ligar pra confirmar o caminho, e nada. será que será mais uma que me deixa na mão? chegando, ela atendeu ao interfone. era só um mau-contato.

ao entrar, me deparei com um grande problema. que se fosse realmente grande, eu teria mencionado, mas desde que desapeguei das coisas e comecei esse exercício de me adaptar ao ambiente, ando desatenta para as minhas restrições e preferências.

o problema me olhou, desconfiado e deitou no corredor, como se para impedir minha passagem. e eu pensei que já estava na hora mesmo de não me importar com a minha alergia.

o dia passou, e eu nem espirrei tanto. mas à noite, comecei a sentir a respiração difícil e o peito chiando. fui até a farmácia e comprei um antialérgico. dormi super bem. fiquei uma semana lá.

essa é a margot. ela gosta de dormir nessa cama quando bate o sol.

vista corta

e nessa casa o convite pra hospedagem já estava na parede.

(e eu continuo vendo o que eu quero.)

também fiquei aqui. : )

vista torta

no primeiro dia em que entrei nessa casa, vi meu nome escrito na parede.

vi porque quis, não era o que havia sido escrito.

mas que tá lá, tá. (assim destacado dá pra ver bem)

acabei ficando por lá.

por 5 meses.

pampulha expresssss

pronto

finalmente terminei meu bordado em ponto-cruz.

um ponto-cruz por pixel

sim, enduro é uma prova de resistência

o eterno hóspede

até que um dia me contaram a história de guará rodrigues.

foi um ator coadjuvante de talento do cinema nacional.

passou boa parte de sua vida sem casa.

salvador, rio de janeiro ou em sua cidade-natal, belo horizonte. era sempre hospedado.

e assim viveu, e morreu, hóspede.

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