na av. alfredo balena, em belo horizonte

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o fim do castelo

Gerstäcker, irritado e esgrimindo com a mão como se quisesse silenciar de longe a gerente que o importu­nava, convidou K. a ir com ele. A princípio não quis entrar em maiores explicações. Mal prestou atenção na objeção de K. no sentido de que agora precisava ir à es­cola. Só quando K. resistiu a ser arrastado por ele é que Gerstacker lhe disse que não devia se preocupar, K. iria ter tudo de que precisava na casa dele; podia dispen­sar o posto de servente de escola; K. podia finalmente ir com ele; Gerstacker tinha passado o dia inteiro à es­pera dele, sua mãe não tinha idéia de onde ele estava. Cedendo lentamente, K. perguntou por que, afinal, Gerstacker queria lhe dar casa e sustento. Este deu apenas uma resposta fugidia — precisava da ajuda de K. com os cavalos, possuía então outros negócios, mas agora K. não devia, por favor, se deixar arrastar assim por ele, nem lhe causar dificuldades desnecessárias. Se estivesse querendo pagamento, ele iria providenciá-lo também. Mas nesse ponto K. estacou apesar de puxa­do. Ele não entende nada sobre cavalos. Não era preci­so, disse Gerstacker impaciente, juntando as mãos de raiva para mover K. a ir junto com ele.
— Não sei por que quer me levar consigo — disse K. finalmente.
Para Gerstacker era indiferente o que K. sabia ou não.
— Porque acredita que eu possa obter de Erlanger alguma coisa a seu favor — acrescentou K.
— Sem dúvida — disse Gerstacker. — Por que ou­tro motivo eu me importaria com você?
K. riu, se pendurou no braço de Gerstacker e se deixou conduzir por ele através da escuridão.
A sala na cabana de Gerstacker estava iluminada fracamente só pela chama do fogão e por um toco de vela, sob cuja luz alguém, inclinado num nicho debai­xo das traves do teto, que ali se projetavam oblíquas, lia um livro. Era a mãe de Gerstäcker. Ela estendeu a K. a mão trêmula e o mandou sentar-se ao seu lado; fala­va com esforço, era preciso se esforçar para entendê-la, mas o que ela disse *

 
* Fim do texto. Leia o Posfácio para maiores explicações. (N. da digitalizadora).

(O Castelo de Franz Kafka)

posfácio

acolhida foi minha primeira proposta para a bolsa pampulha.

uma forma de descobrir a cidade através dos espaços íntimos, dos recortes pessoais de cada um.

a primeira etapa: reconhecimento do lugar.

durante esse período, continuei pesquisando tetos possíveis e impossíveis.

o desterro e a falta de casa fizeram com que eu procurasse por um imóvel desde que cheguei na cidade. e mesmo quando desisti de ocupar um fixo, continuei buscando.

somar as buscas: ir além do acolhida,  minha experiência pessoal, e encontrar na cidade outras situações de procura por um lar.

passei a procurar prédios públicos vazios. o espaço público do meu interesse passou a ser o construído.

vazios não há, foi a resposta oficial.

procurei então outros grupos, e fui apresentada ao síndico da ocupação navantino alves. um conflito em andamento no centro da cidade.

fiz então um projeto para este local, o obra de permeabilização do muro.

mas ele ficou enroscado num emaranhado de autorizações impossíveis de se conseguir em poucas semanas. este assunto não cai bem nas comemorações do aniversário da cidade?

pois eu acredito que seria um belo presente pensar que uma aproximação, um toque e uma escuta atenta sobre uma superfície áspera poderiam torná-la porosa.

talvez? agora não saberemos.

trabalho suspenso. outro capítulo sem fim.

se eu pudesse…

faria esse trabalho aqui também:

 

inhotim

12/12

aguardem…

na próxima sexta, este arquivo estará completo!

volte e confira o final do projeto ou o projeto final

muitas novidades e grandes emoções

: *

maíra

serra

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ainda

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foto: Lucas Galeno

acolhida em padre eustáquio

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uma tarde qualquer no jardim das noivas

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foto: Lucas Galeno

suspense tipo kafka

Abriu ontem a coletiva no Museu da Pampulha.

A proposta desta mostra é revelar o processo de trabalho e a pesquisa realizada durante este ano pelos dez artistas bolsistas. E ainda dar dicas ao público do que poderá ser encontrado na cidade em dezembro. Pois será apenas em dezembro, no dia do aniversário da cidade de Belo Horizonte, a exposição do resultado final.

Claro que muitos outros resultados sem final já estão em andamento, assim como este blog sobre minha experiência de acolhida em Belo Horizonte.

Mas se você foi ao museu e encontrou lá este endereço, gostaria de avisá-lo de que este blog não é o meu único projeto desenvolvido durante a Bolsa Pampulha. Como diz aí ao lado, este é um modo de estar na cidade. Assim estando, continuei trabalhando e buscando um trabalho que tocasse em questões de moradia, desterro e acolhida numa escala mais abrangente.

Apresentei então, há quase um mês, o projeto da obra de permeabilização do muro. Porém, ele depende de aprovação e esta ainda não veio. O meu projeto parece ser o único ainda pendente. Ele ficou enroscado num entrave político-administrativo-burocrático, um limbo confuso e obscuro do qual talvez nunca saia. Talvez não me deixem fazer. Ou talvez demore demais até que chegue uma resposta oficial e seja tarde demais para que eu consiga fazê-lo.

Ao que tudo indica, este trabalho toca em questões incômodas e sua realização seria inconveniente. Mas então a encomenda por uma pesquisa sobre o espaço público não está aberta a discussões sobre o uso deste espaço?

Nesta edição da Bolsa, não podemos ocupar o museu com nossos trabalhos finais, nem se o interpretarmos como espaço público. Fomos lançados à cidade. Não era de se esperar então que muitas das propostas abordariam questões políticas presentes no espaço público?

Não havia temas previstos ou proibidos no edital. O desafio era morar um ano na cidade e desenvolver um ou mais trabalhos a partir desta vivência.

Tudo que fiz até agora foi responder à estrutura – ou a falta dela – que nos foi oferecida. Passar seis meses sem casa e pensar numa obra de permeabilização do muro só podiam surgir do embate com a Bolsa Pampulha e com Belo Horizonte.

Enquanto a autorização não vem nem deixa de vir, faço uso deste blog como meu espaço público possível. E sigo torcendo para que tudo dê certo.

Será que neste Castelo também não haverá final?

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acolhida é um projeto para a edição de 2008 da bolsa pampulha.

é um modo de estar na cidade de belo horizonte.